Andermatt do Brasil

A Helicoverpa armigera volta a ser uma ameaça para os produtores do Mato Grosso. De acordo com Vanderlei Dias Guerra, coordenador de defesa vegetal do Ministério da Agricultura em Mato Grosso, houve um aumento do aparecimento da lagarta nas lavouras, tanto naquelas que já foram colhidas como também nas lavouras em desenvolvimento.

A situação foi detectada no estado, mas ele lembra que a situação “não é diferente em outros lugares”. Nas áreas de soja, ocorrem ataques em níveis que o coordenador considera como “importantes” e mais intensos do que em anos anteriores.

Por isso, ele destaca que o monitoramento é fundamental. “Os técnicos e os produtores devem despender um dia para ver se existe Helicoverpa ou spodoptera [lagarta-do-cartucho] e observar se o controle é importante naquelas áreas. É preciso fazer uma amostragem muito bem feita porque isso não ocorre em todos os cantos do talhão. Depois, na área onde foi encontrada a praga, é preciso fazer um levantamento mais detalhado na lavoura assim que a planta emergir. Isso tem pego técnicos e produtores de surpresa, pois eles não se dão conta do que tem acontecido”, diz Vanderlei.

Ele lembra que muitas vezes o produtor, na “necessidade de já dessecar e sair plantando, deixa as guaxas ainda verdes e a soja nascendo ali”, mas caso as pragas já estejam nas plantas guaxas, “vai chegar o momento em que essas plantas vão morrer e não vão servir de alimento para as pragas, logo, elas vão se alimentar da soja”.

A atenção, no entanto, deve ser regional. Se um vizinho não realiza um controle adequado, há grandes chances de a praga se espalhar e atingir plantações próximas já controladas. Além de ser importante “dar uma olhada regionalmente”, como ele destaca, o controle deve ser constante também.

Ele ainda aponta uma maneira importante para analisar a aplicação correta: “realizar a coleta das lagartas, colocar em recipientes ou garrafinas de água e manter por uns dias para descobrir se há algum inimigo natural”. Ele lembra que quando a lagarta do Mato Grosso foi detectada, este procedimento foi realizado e, assim, foi encontrado 40% do controle natural.

Nas áreas de milheto, onde não se aplica inseticida ou fungicida, se proliferam alguns fungos benéficos. “Às vezes o técnico faz uma coleta e observa que as lagartar morrem naturalmente, então é importante monitorar e ver se há necessidade de aplicação”, destaca. Nas outras áreas, o monitoramento e o controle são mais importante ainda, pois algumas pragas podem ser sensíveis à aplicação.

Em Sapezal (MT), os produtores estão tendo maior dificuldade de controle da Helicoverpa, “inclusive utilizando as ferramentas já disponíveis”, diz Vanderlei. Em uma propriedade, foi aplicada diamida e agora estão sendo coletadas amostras para analisar o nível de controle dos inseticidas.

Os produtores, no entanto, enfrentam uma dificuldade maior: a proibição, por uma restrição judicial, do uso do benzoato de emamectina, que é liberado anualmente pelo Ministério da Agricultura (Mapa) para controle das pragas. Vanderei aponta, no entanto, uma necessidade de se conseguir uma liberação em definitivo para evitar que estes pedidos sejam feitos anualmente e também para que os produtores não utilizem produtos contrabandeados e fiquem sujeitos a ter as suas lavouras interditadas.

Ele também alerta para que o benzoato não seja a única alternativa, devido à resistência de algumas pragas à aplicação. O relato dos técnicos é de que há maior dificuldade nessa safra de controlar a Helicoverpa armigera do que no ano anterior. “É enfático dizer que é a safra na qual se tem visto a maior densidade populacional de Helicoverpa. Então, se houvesse outra molécula para usar de forma controlada, seria fundamental”, explica.

“É importante que os técnicos utilizem todas as ferramentas, inclusive o baculovírus. Para aquelas que escaparem, seria preciso lançar mão de benzoato ou diamida. O que não pode é a gente escolher só um princípio ativo, pois as lagartas que escapam vão adquirindo resistência”.

Além da Helicoverpa, também há incidências de Spodoptera eridanea (Lagarta das folhas) na soja. Embora não seja tão comum, é uma lagarta de difícil detecção, pois come folhas inteiras, inclusive aquelas provenientes da Intacta RR.

O coordenador diz que “pode dizer que irão ocorrer impactos para a próxima safra”, comparando com a situação de 2013. “Esse ano tem mais Helicoverpa do que naquele ano. Os técnicos que plantam 240 mil hectares dizem que estão com maior dificuldade de controlar, então é possível e bem provável que essas lagartas vão causar um dano maior, já que, por enquanto, não tem benzoato disponível”, diz.

Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas
http://www.noticiasagricolas.com.br/videos/agronegocio/181616-alerta-para-o-ataque-de-lagartas-em-mato-grosso.html?utm_source=mailing&utm_medium=tarde#.WBdNty0rKM-

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